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Novas espécies de primatas revelam desafios urgentes para a conservação da Amazônia
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O biólogo Rodrigo Costa Araújo, especialista em primatas, tem se dedicado a explorar o Arco do Desmatamento na Amazônia, uma área de 500 mil km² que abrange estados como Maranhão, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre. Essa região é um dos focos de desmatamento mais intensos da floresta. Araújo, em seu doutorado, revelou duas novas espécies de saguis, que foram rapidamente incluídas na lista de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Além disso, ele criou um banco de dados genético de 99% das espécies de saguis conhecidas.

Com a Amazônia já tendo perdido 17% de sua vegetação nativa, segundo o MapBiomas, a resistência da floresta a incêndios está em declínio. Cientistas temem que o desmatamento e as mudanças climáticas estejam levando o bioma a um ponto irreversível. Araújo, que recentemente voltou de uma expedição de 40 dias, busca novas espécies que identificou durante seu doutorado.

Um estudo de 2021 na revista Nature indicou que o Brasil concentra 10,4% das descobertas potenciais de novas espécies de vertebrados terrestres, com 53% dessas ocorrendo em florestas tropicais úmidas como a Amazônia. O professor Mario Moura, da Universidade Federal da Paraíba, utilizou um modelo estatístico para prever a descoberta de novas espécies, destacando que répteis e anfíbios têm maior potencial de novas descobertas devido à sua menor popularidade e distribuição restrita.

A professora Ana Prudente, do Museu Paraense Emílio Goeldi, enfatiza a necessidade de mais taxonomistas para explorar a vasta e diversificada Amazônia. Ela coordena um grupo que busca acelerar a descrição de novas espécies, mas enfrenta a falta de recursos humanos especializados. A Iniciativa Amazônia +10, por exemplo, financiou expedições científicas para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da região.

O botânico Charles Zartman, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, lidera um projeto para catalogar espécies na região da Cabeça do Cachorro, uma área rica em biodiversidade. Utilizando métodos de sequenciamento de DNA, a equipe busca acelerar a identificação de novas espécies. Apesar das dificuldades, a curiosidade científica e a urgência de preservar a biodiversidade impulsionam esses esforços.

Fonte:https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn40d3lznpeo?at_medium=RSS&at_campaign=rss

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